sexta-feira, 27 de maio de 2016

Paixão que vem da família

Maria Dolores Viana Prates dedicou boa parte dos seus 82 anos de vida ao Centro Limoeirense. A aposentada garante que era uma costureira de mão cheia. Era, também, madrinha do time. Acompanhava os jogadores da sede até o estádio, numa espécie de cortejo. Frequentava festas no clube com a mãe, o pai, a irmã e os três irmãos. E recorda o período com muita nostalgia. A época é distante, mas as lembranças são sempre vivas. O encanto é real.

O Centro Limoeirense é o mesmo que ser da família (risos). Meu pai era farmacêutico de profissão e jogava pelo Centro nas horas vagas. Ele gostava muito de jogar bola. Não é porque era meu pai, mas ele jogava bem, era danado com a bola no pé. Era um profissional muito bom, tanto na farmácia quanto no campo. Eu admirava muito. Muita gente desenganada do médico ia para a farmácia dele e saía de lá melhor. E mesmo com todo esse trabalho, ele ainda tirava um tempo para jogar bola. Não ganhava um tostão, jogava por amor. Eu ia aos jogos com meus irmãos para ver nosso pai jogar.
Nem de Limoeiro ele era. Era de Goiana, mas veio para cá a trabalho, conheceu minha mãe e ficou por aqui. Virou um limoeirense de alma. Tem até nome de rua com ele, a da esquina da igreja de Santa Luzia, no bairro da Linha. Ele foi muito importante, tenho orgulho de ser filha dele (emociona-se).

Ele era muito devoto de Santa Terezinha e deu o nome da santa à farmácia. Depois que ele morreu, meus irmãos e eu continuamos com o local, vendendo remédios, lambedor, velas, imagens de santos. Agora que tudinho morreu e só minha irmã e eu ficamos, o lugar fechou. Mas a gente tem muita história para contar (emociona-se).

Minha família toda era centrista. Pai (Flodoaldo Deodiles Prates), mãe (Carmen Dolores Viana Prates), meus três irmãos (Clodoaldo Viana Prates, Valdemar Viana Prates e Nivaldo Viana Prates), minha irmã (Maria da Conceição Prates de Lima) e eu (Maria Dolores Viana Prates). Todo mundo era fanático e ajudava muito o clube.

Meu irmão Clodoaldo, conhecido pelo povo como “Coló” e a quem eu chamava de “Toió” porque foi um nome que inventei quando era pequena, e minha irmã Conceição, conhecida como “Cecita”, faziam parte da diretoria. Eu também fui da diretoria, lá pelos anos 50, 60... Por aí. Era madrinha do time. Acompanhava os jogadores da sede até o campo. Era como se fosse uma capitã. A gente ia aos jogos a pé. Era como se fosse um cortejo. Todo mundo parava para ver. O Centro levava multidões.

Já fui para jogo em Caruaru, contra o Central, já fui para Campina Grande, quando o Centro jogou contra o Treze. De ônibus, claro. Eu era bem fanática. O time era muito bom, os jogadores jogavam por amor. Hoje em dia não tem mais isso.

Os melhores momentos da minha vida foram naquela sede (do Centro Limoeirense). Era muito animado, era muita festa. Em todos os dias do Carnaval a gente estava lá, o dia todo. Chegava em casa muito cansada, mas muito animada. Dava pena quando as festas acabavam. Mas tinha todo ano. Era muito bom.

Eu era costureira. Fazia muitos enfeites para o clube em tempos de festa. Meu irmão (Clodoaldo) levava meu pai para a sede, para ver como as coisas ficavam. Era tudo lindo. Aquele tempo era bom demais, pena que não volta mais. Hoje a sede acabou-se para festas, por causa dessas festas de rua.

A gente era fanático pelo Centro. Pendurava bandeira no quintal, não perdia jogo, ia para festas de Carnaval e São João na sede. A gente não perdia nada. Tudo do clube tinha a gente no meio.

Minha família trabalhou muito para o Centro. A gente tem muita coisa do time: broche, carteirinha... A gente tem CD com o hino a gente tem. Meu irmão pediu para gravarem. Até sei o hino: “Centristas somos todos nós, centristas somos todos nós, centristas somos todos nós, centristas somos todos nós, desde os tempos de nossos avós”.

O gosto pelo Centro também foi passado para os meus sobrinhos. Todo mundo ia para jogo, ia para festa. Todo mundo virou centrista.

Ninguém queria saber de Colombo (o grande rival do Dragão) lá em casa. Sou do tempo em que centrista não pisava na calçada do Colombo e colombiano não pisava na calçada do Centro. Era uma briga muito forte, era uma rivalidade braba. Mas hoje não tem mais isso.
Sempre dava muita gente nos jogos. Lá em casa ninguém usava preto e branco (risos). Não é porque eu sou centrista, mas as cores do Centro (vermelho e branco) são muito lindas, as mesmas do Náutico, que também é meu time. E o Centro sempre teve mais torcida. Era o time do povo. O Colombo era dos mais ricos. Mas hoje não tem mais time. É só a sede. Já o Centro continua existindo, ainda bem, mesmo que seja com muita dificuldade.

O Dragão tem que continuar existindo. Faz muito bem para Limoeiro, movimenta a cidade. Muita gente ainda vai ao campo. A gente quer sempre o bem do Centro Limoeirense. É o orgulho da família, é o orgulho da cidade, é o orgulho da região. O time é patrimônio de Limoeiro e tem muita história. Às vezes ganha, às vezes perde, mas isso é do jogo. O Centro continua lá, e é bom que continue. Essa história não pode se acabar nunca. Se o Centro acabar, acaba-se a cidade, acaba-se a vida da gente.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

As participações mais emblemáticas do Centro Limoeirense

A primeira participação do Centro Limoeirense em um torneio profissional se deu no Campeonato Pernambucano de 1963. Àquela época, a presença de equipes do interior na elite estadual ainda era escassa. Além do Centro, somente o Central de Caruaru representava o interior na competição.
O Dragão estreou contra o Náutico, nos Aflitos. E o Timbu venceu: 2 a 0. Após um empate sem gols com o Central na Capital do Forró e uma fatídica série de três derrotas, para Santa Cruz (1 a 0), Ferroviário e Sport (ambas por 2 a 1), o escrete experimentou uma surpreendente e agradável sequência invicta de nove partidas. As primeiras vitórias saíram diante do América (1 a 0) e do Íbis, que ainda não detinha a alcunha de “Pior time do mundo” (3 a 1 e 2 a 1).

Mais tarde, a invencibilidade continuou contra Ferroviário (2 a 0), Santa Cruz (0 a 0), Náutico (2 a 0), Central (2 a 2), Sport (1 a 1) e América (2 a 0). Os centristas ficaram na honrosa terceira colocação do primeiro turno, atrás apenas de Náutico e Sport. Os rivais da capital decidiram o estágio inicial do Estadual, vencido pelos alvirrubros.

“Luís Duarte, deputado da cidade (filho do empresário Otaviano Heráclio), queria botar um time de Limoeiro na primeira divisão”, lembra Nelson Ricardo, ponta-direita do Centro nos anos de 1963 e 1964. "Esse time seria o Colombo, mas Luís Duarte se desentendeu com alguns dirigentes, e a ideia foi para o Centro", destaca.

A campanha é recordada por Seu Nelson com muito saudosismo. Os jogos na casa do Dragão são sua maior saudade. “O melhor time do Centro foi esse primeiro. Era um timão. O estádio (José Vareda) era um alçapão. Dentro de casa a gente não perdeu para ninguém”, sublinha.
O resultado mais emblemático foi o já citado triunfo de 2 a 0 sobre o Náutico em Limoeiro. A base timbu que sucumbiu diante dos centristas no interior era a mesma que viria a conquistar o Campeonato Pernambucano por seis anos seguidos. “O Náutico tinha Bita, o Homem do Rifle (maior artilheiro da história do clube, com 223 gols), Nado, Lula Monstrinho, Gena. Foi uma emoção danada. A torcida encheu o campo”, conta.

O time-base do Mais Querido era composto por Manguito; Adilson, Dedé, Luizinho, Edmilson; Juvenal, Vi, Tidão; Nelson, Tanzino e Chico.

Se o desempenho na primeira metade da competição foi animador, o mesmo não se pode dizer do rendimento no segundo turno. Vieram penas duas vitórias, sendo uma delas um triunfo de 1 a 0 sobre o Santa Cruz, no Recife, e a outra um 4 a 2 contra o América. um empate (1 a 1 com o Sport) e sete derrotas (3 a 2 e 4 a 0 para o Náutico, 3 a 0 diante do América, 1 a 0 contra o Central, 2 a 1 frente ao Santa Cruz e 1 a 0 e 2 a 1 para o Sport). O time teve a pior campanha da fase. Na classificação geral, foi o sexto colocado, desempenho que se repetiu no ano seguinte. “Futebol antigamente era mais difícil do que hoje. E esse time teve muito mérito, tanto é que é lembrado até hoje”, diz Seu Nélson.

Após o meteórico sucesso, o clube se retirou das competições oficiais. Retornou três décadas mais tarde, numa época em que o Campeonato Pernambucano já tinha sido mais “interiorizado”. Nos anos 90, o Centro alternou entre a primeira e segunda divisões do futebol estadual, panorama que se repetiu na década de 2000.

Apesar dos altos e baixos do Dragão, os anos 90 também reservaram ao clube e à cidade uma participação histórica: em 1997, o Centro foi convidado a participar da Série C do Campeonato Brasileiro. Limoeiro seria representada pela primeira — e, até hoje, única — vez em uma competição nacional.

Os alvirrubros caíram no Grupo 5 do certame, juntamente com o conterrâneo Flamengo de Arcoverde, o ASA de Arapiraca-AL e o Juazeiro-BA. A estreia foi animadora: 1 a 0 sobre o Juazeiro no Varedão. Na segunda rodada, o plantel viajou a Arcoverde e trouxe um empate de 1 a 1 na bagagem. O terceiro compromisso no campeonato também terminou empatado: 0 a 0 com o ASA, em casa.

No returno veio a primeira derrota. O reencontro com o ASA terminou com a contagem de 3 a 0 para os alagoanos. Arapiraca foi um ambiente hostil para o escrete pernambucano. Era necessária uma vitória contra o Flamengo para continuar sonhando com a classificação. Mas veio um insosso empate sem gols. Por outro lado, a vitória do já classificado ASA sobre o Juazeiro por 1 a 0 deixou o Dragão em boas condições para avançar à próxima fase.

Na última rodada, os pernambucanos viajaram à Bahia. Uma vitória bastava. Em caso de empate, teria que torcer por uma derrota do Fla para os arapiraquenses. No entanto, não saíram de lá com a classificação. A derrota pela contagem mínima desclassificou os limoeirenses, que somaram os mesmos seis pontos dos juazeirenses, mas levaram desvantagem no saldo de gols. Enquanto o Centro acumulou três gols negativos, o Juazeiro teve o saldo zerado. E foi justamente o Juazeiro quem se classificou, graças ao triunfo do ASA sobre o Flamengo, também por 1 a 0, em Arcoverde.

“Infelizmente é muito difícil acontecer uma participação dessa hoje. O Centro passa por muitas dificuldades dentro de campo, com campanhas ruins, e também fora, com tantas dívidas. O futebol de Limoeiro acabou. A gente tem que seguir o exemplo de clubes como o Salgueiro e o Porto”, afirma o torcedor e ex-goleiro do Centro, Izaltino Bezerra da Silva.

Ali chegava ao fim a única vez em que Limoeiro esteve presente no mapa do futebol nacional. O Mais Querido foi o 48º colocado na classificação geral da Terceirona, à frente de equipes tradicionais como Fortaleza-CE, Anápolis-GO, Potiguar de Mossoró-RN, Campo Grande-RJ, Villa Nova-MG, Galícia-BA e Rio Branco-SP.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Dragão está se movimentando para disputar a Série A2 do Pernambucano, garante dirigente

Em entrevista, o diretor de relações públicas do Centro Limoeirense, Flávio Hermínio da Silva, detalha o planejamento da administração para a temporada de 2016, bem como estratégias para movimentar o clube e cuidar de seu patrimônio. O Dragão não quer repetir os descuidos de 2015 e, para retomar o caminho das vitórias, guia-se em um lema o qual tem sido recorrente no futebol: a valorização das categorias de base.
Vice-presidente da Liga Limoeirense de Futebol, Flávio recorda com muita tristeza alguns acontecimentos que mancharam a história do clube, como o fracasso dentro de campo no festivo ano do centenário e um quebra-quebra promovido por jogadores na sede da instituição. Por outro lado, ele acredita que de tudo se tira uma lição e que, apesar das dificuldades, o Dragão permanecerá representando Limoeiro nas competições. E vivo no coração de cada limoeirense.
O Centro não é meu, o Centro não é do meu pai. O Centro é de Limoeiro”, sublinha. “Queremos deixar o Centro Limoeirense em boas condições para as gerações futuras”, assegura o dirigente.
Como surgiu sua paixão pelo futebol e pelo Centro Limoeirense?
Minha paixão vem desde criança. Meu pai foi dirigente e sempre ajudava a levar o material pro campo, daí eu fui criando uma paixão pelo futebol. Essa paixão foi algo que minha família me passou.
Qual é o planejamento da atual diretoria para recolocar o Centro no caminho das vitórias?
Meu pai é o atual presidente, e eu sou diretor de relações públicas. Nós da diretoria queremos, primeiramente, colocar o Centro Limoeirense de volta à elite do futebol pernambucano, a Série A1. Em 2015 nós participamos do Campeonato Pernambucano Sub-17 e Sub-15. Estamos dando oportunidades a atletas de Limoeiro e da região. Trouxemos gente de Feira Nova, João Alfredo, Bom Jardim, Itaquitinga, Santa Maria do Cambucá, Lagoa de Itaenga, Carpina, entre outras cidades. Sabemos que o Centro pode virar um celeiro de craques e lucrar com a revelação e a venda de talentos. Isso seria bom para Limoeiro e para a região. Estamos nos preparando para a Série A2 de 2016. O gramado do Estádio José Vareda está sendo bem cuidado, está bem irrigado. Estive lá ontem. As arquibancadas já foram todas pintadas e também já colocamos para-raios. Esta semana fomos a Vitória de Santo Antão para resolver a questão do laudo do Corpo de Bombeiros. Falta o da Polícia Militar. Não queremos que aconteça o imprevisto do ano passado. Deixamos tudo em cima da hora e o Centro não pôde participar da Série A2 de 2015. Com fé em Deus, vamos participar da Série A2 de 2016.
Que tipo de problema vocês tiveram com a documentação ano passado?
Nós não conseguimos instalar os para-raios no Estádio José Vareda. Era algo que o laudo do Corpo de Bombeiros não exigia, mas que passou a exigir desde o ano passado. Isso aconteceu depois que, em um jogo no Sul do Brasil, um jogador foi atingido por um raio e acabou falecendo. Agora já colocamos os para-raios. A instalação custou em torno de R$ 8 mil. E o laudo do Corpo de Bombeiros custa R$ 3 mil.
Como o clube adquire receita durante todo esse período sem jogar?
O Centro Limoeirense depende do apoio financeiro da prefeitura municipal e de alguns patrocinadores que queiram ajudar o clube. Inclusive, já apareceram vários empresários querendo investir no Centro. Mas não dá para passar a equipe para os empresários. Tem que formar atletas de base para que o Centro revele e tenha receita com eles. O fim do Todos Com a Nota atrapalhou muito os times do interior. Era uma subvenção que ajudava os clubes a pagarem o elenco. Hoje tudo é despesa. O Centro tem despesa com concentração, alimentação, transporte para conduzir os jogadores. Também tem que pagar os atletas, um médico para acompanha-los, a arbitragem da federação. Quando vai jogar fora, tem que pagar hospedagem e restaurante. Estamos projetando esses gastos, tudo com os pés no chão. Quando tiver próximo da competição, das reuniões da FPF, vamos levar um relatório para a prefeitura e vamos buscar apoio de fora, patrocinadores que queiram usar sua marca na camisa do Centro Limoeirense. Hoje existe um estacionamento de Toyota (meio de transporte típico do interior pernambucano) no Estádio José Vareda e a prefeitura nos paga o aluguel de R$ 1,5 mil. As Toyotas são da própria prefeitura. Vivemos basicamente desse dinheiro e da verba de eventos que são realizados na sede do clube. Também recebemos receita de turmas que organizam peladas no José Vareda e nos pagam o aluguel do estádio. Esse dinheiro nos ajuda a pagar a taxa de água e de energia do estádio, o salário mínimo do funcionário que cuida do campo e as taxas de energia e de água da sede.
Os empresários em questão são da região ou de outros Estados?
Já entraram em contato com o presidente do clube empresários de São Paulo querendo uma parceria. Mas a proposta deles não interessa ao Centro porque o Centro tem que revelar atletas para ter receita. Tem que trabalhar a base. Quando tiver perto do início do campeonato, vamos fazer uma peneira, observar atletas da região. Alguns empresários indicam atletas para o Centro, pra ver se o Centro forma uma equipe boa para participar de uma competição que é importantíssima para Limoeiro e para o clube. Quando joga, seja na Série A1 ou na Série A2, o Centro movimenta o comércio, movimenta a cidade. O Centro se profissionalizou em 63, para disputar o Campeonato Pernambucano. Sabe-se que naquela época foi um deputado de Limoeiro, filho do empresário Otaviano Heráclio, que colocou o Centro na primeira divisão. E o time fez boas campanhas.
Você citou o Todos Com a Nota, antigo programa do Governo do Estado que ajudava os clubes do interior. Agora que ele acabou, vocês dependem basicamente do governo municipal?
A cidade agora tem dois deputados, um estadual (José Humberto, PTB-PE) e um federal (Ricardo Teobaldo, PTN-PE). Depende deles e da prefeitura para a cidade se movimentar. Vêm verbas do Ministério do Esporte para o município. Estão com um projeto para fazer um ginásio de esportes, orçado em R$ 47 milhões. Eu creio que se a prefeitura e os deputados tiverem interesse de ver o clube se movimentar, eu acho que eles devem ajudar, porque o Centro é Limoeiro. A gente tem que trabalhar para ajudar o Centro, para o futebol de Limoeiro não se acabar. Nossa cidade e o Brasil todo estão vivendo uma grave crise econômica, por conta desses governos que passaram aí, e isso também afeta os clubes. Mas se tiverem a boa vontade de ajudar o Centro com um pouquinho que seja, para os atletas, para o transporte, vai nos ajudar muito. É necessário. A prefeitura é o único patrocinador oficial que o Centro Limoeirense tem hoje. Em cada jogo o Centro tem uma despesa de quase R$ 4 mil, porque tem a arbitragem, o médico, os jogadores. São várias despesas. E um clube profissional precisa de recursos. Com o fim do Todos Com a Nota, os clubes do interior passaram a depender basicamente das prefeituras, infelizmente. Você vê que times como Afogadense, Cabense e Ferroviário do Cabo não jogaram a última Série A2. O Altinho se licenciou, o Sete de Setembro e o Ypiranga estão passando por uma grave crise financeira, o Surubim está desativado. Até o Porto, que tem uma boa estrutura e revela atletas, não vive boa fase. Caiu para a Série A2 este ano. O Centro também tem dificuldades. É um clube grande, de muita tradição, um clube centenário. Não era para estar passando por essa crise financeira. A torcida tem que chegar junto. Nós estamos planejando fazer um bingo para ajudar o Centro a terminar um lance de arquibancada que estava sendo construído atrás de um dos gols. A obra começou ainda na gestão do falecido doutor Carlos Alberto de Oliveira na Federação Pernambucana e foi interrompida por falta de verba. Temos muito a agradecer a Carlos Alberto, que foi um grande limoeirense e centrista. Ajudou muito o clube. No ano do centenário do Centro, o Dragão tinha um débito muito grande com a FPF, agora na gestão do doutor Evandro (de Carvalho). Mas a federação anistiou. A prestação de contas daquele ano já foi feita. Hoje, para jogar uma Série A2, o clube deve ter uma receita de mais ou menos R$ 100 mil. E com o que vivemos hoje não dá. O Centro precisa de mais recursos. Precisa da prefeitura, dos políticos, de patrocinadores, de investimento.
Existe alguma proposta que envolva a criação de um plano de sócio-torcedor para gerar mais receita ao clube?
Existe uma proposta de sócio-torcedor. É preciso gerar mais recursos para o clube. Também queremos movimentar a sede. Ela ultimamente só está servindo para a concentração dos atletas, no primeiro andar. Antigamente existiam vários bailes, festas de Carnaval, de São João, do aniversário do clube. Mas hoje fica difícil competir com as festas de rua, onde o povo vai de graça. Precisamos ajeitar os telhados, os quartos da concentração, as camas, as mesas da sede. A gente também pensa em fazer um poço artesiano no Estádio José Vareda. Tratamos o gramado com água que vem do Rio Capibaribe, e uma bomba ajuda a fazer a irrigação do estádio. Os jogadores e os árbitros tomam banho com água de carros-pipa que são doados pela prefeitura. Ou seja, com um poço artesiano, o clube já diminuiria essa despesa com carros-pipa. Essa água do poço artesiano também seria boa para lavar a sede, e também para os banheiros.
Ou seja, o clube também pretende cuidar de seu patrimônio.
Sim, é importante cuidar do patrimônio. Você vê que agora o Náutico tá passando muita dificuldade com a Arena Pernambuco, que não tá repassando os recursos para o clube. O Governo do Estado já rompeu com a Arena. E desde que passou a mandar jogos na Arena, o Náutico não tem cuidado de sua sede. Abandonou seu patrimônio para ir a uma Arena que não é dele. Eu vi que para voltar aos Aflitos, o clube vai ter que gastar R$ 2,5 milhões. Tudo isso para ajeitar o gramado, cuidar de sua estrutura. O Náutico tem que zelar pelo seu patrimônio, assim como o Centro Limoeirense tem que zelar pelo dele. E não falo só da sede, falo do estádio também. Tem um muro ali atrás da cabine de imprensa do José Vareda que tá precisando de uma reforma. Mas para contratar um pedreiro, um mestre de obras, o Centro precisa de recursos. É muito fácil chegar e criticar. Mas doar cimento e doar tijolo para ajudar a melhorar o estádio ninguém faz. Como já te falei, o clube tem o projeto de fazer um bingo para adquirir recursos. Já se cogitou cobrar R$ 1 na conta de água para ajudar o clube, mas essa ideia não saiu do papel.
O Centro Limoeirense já teve problemas com jogadores na Justiça?
Já aconteceu de atletas passarem pelo clube e depois colocá-lo na Justiça. Mas isso eu não entendo. Se foi feito um contrato com um profissional, ele recebeu todos os seus salários e ainda coloca na Justiça, no Ministério do Trabalho, isso realmente me deixa horrorizado. Na última gestão, de Beto de Sula (no triênio 2013-2015), o Centro formou um time muito bom no ano do centenário (2013), com Carlinhos Bala, Rosembrick, Eduardo Erê, Thomas Anderson, Nininho, Candinho. Era um plantel muito bom, tínhamos tudo para subir. Eu sempre dizia que se o Centro não subisse naquele ano, seria muito difícil subir nos outros anos. Passamos de duas fases e, quando chegou no mata-mata, aconteceu aquele desastre no jogo de ida contra o Olinda. Perdemos de 3 a 0, teve até gol contra. Na volta ganhamos de 1 a 0, mas não adiantou. Depois da desclassificação teve vandalismo na sede. Os jogadores se revoltaram, quebraram a decoração do centenário e troféus, bagunçaram tudo. Depois a mídia entrou em contato com a gente para saber a veracidade do fato. Para contratar um jogador, a gente tem que saber não só de onde ele veio e por onde passou, mas também a sua conduta. Porque se a gente for contratar qualquer tipo de jogador, depois você vai ter dor de cabeça. Lembro que na época houve desentendimentos entre treinador, jogadores e presidente. Eu acho que estavam fazendo corpo mole e existiu alguma coisa naquele jogo em Olinda. Nosso time era o time a ser batido. Não entendi aquilo que aconteceu, aquela atuação.
Como é a relação do Centro com a imprensa local?
Não procuram saber nada do clube, só fazem criticar. Eu acredito que todos devem estar ao lado do clube, pra incentivar. Quando denigrem a imagem do clube, a tendência é ele cair. Tem que apoiar o time, para que ele venha a se destacar, a fazer bonito, a levantar o nome da cidade. Vieram dizer que a última eleição, a de 2015, foi irregular. Não foi. A documentação está toda registrada em cartório. Está tudo regularizado. Não procuraram saber nada, não apuraram nada e vieram denegrir a imagem do clube, dizer mentiras. Antes do centenário do Centro, inclusive, a Federação Pernambucana fez uma intervenção porque o clube estava abandonado e a gestão anterior não tinha condições de mantê-lo. Aí Beto de Sula foi eleito, e depois veio Geraldo Hermínio, meu pai.
O que o Centro Limoeirense representa para você e para a cidade?
O Centro não é da minha família. O Centro é de Limoeiro. Movimenta o comércio, a economia da cidade. Eu lembro quando o Náutico veio jogar aqui em 2001, ganhou de 4 a 0 e foi campeão do primeiro turno do Pernambucano. Os restaurantes, churrascarias e bares estavam lotados, os vendedores de pipoca, amendoim e picolé lucraram bastante. Outras gestões virão, e a gente espera deixar nosso nome marcado de forma positiva na história do clube. Queremos deixar o Centro Limoeirense em boas condições para as gerações futuras. Sou, acima de tudo, um apaixonado por futebol.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Mídia: Lembranças e trabalho

Áudio: Maciel Júnior não esconde na mídia sua paixão pelo Centro Limoeirense

O radialista Maciel Júnior não nega suas origens. Nascido em Limoeiro, o comentarista esportivo da Rádio Jornal acompanha o Centro Limoeirense de longe. E garante estar sempre antenado.

Vídeos: Peneira do Dragão
O "garimpo" dos talentos em Limoeiro e na região é feito através das famosas peneiras. O treinamento e a seleção são feitos no gramado do Centro Social Urbano, no bairro do Juá.



segunda-feira, 23 de maio de 2016

O mais querido de Limoeiro

Centristas somos todos nós, centristas somos todos nós, centristas somos todos nós, desde os tempos dos nossos avós”. O trecho do hino expressa a paixão e o orgulho de uma cidade por um clube. Limoeiro, município do Agreste de Pernambuco, é a terra do Centro Limoeirense, primeira agremiação de futebol do interior pernambucano e terceiro time mais antigo do Estado. Fundado em 15 de setembro de 1913, o Dragão só é mais novo que o Clube Náutico Capibaribe, de 7 de abril de 1901, e o Sport Club do Recife, de 13 de maio de 1905. “Sou centrista sou bom, sou do clube mais querido. E é isso que digo, posso até me orgulhar”.
A origem da instituição esportiva pode ser explicada pelo desenvolvimento econômico da cidade, à época com apenas 20 anos de emancipação política. Durante décadas, o cultivo de algodão alavancou a economia do município, hoje sustentada em grande parte pelo setor de serviços.
A casa do Alvirrubro de Limoeiro é o Estádio José Vareda, popularmente chamado de “Varedão”. A praça esportiva tem capacidade máxima de cinco mil pessoas e está situada na Avenida Capibaribe, no Bairro da Pirauíra. Já a sede fica na Rua Vigário Joaquim Pinto, no centro da cidade.
Passaram-se 102 anos e o Centro continua de pé. Apesar das dificuldades, o clube provoca um sentimento de nostalgia e de carinho em quem, de alguma forma, está envolvido ou se envolveu com a instituição. A aposentada Maria Dolores Viana Prates, de 81 anos, considera o clube como parte da sua família. “Meu pai (Flodoaldo Deodiles Prates) já foi jogador do Centro. Ele era farmacêutico, mas sempre tirava um tempo para jogar. Jogava por amor. E meus irmãos (Clodoaldo Viana Prates, o “Coló”, e Maria da Conceição Prates de Lima, a “Cecita”) já fizeram parte da diretoria”, conta.
Eu também já fui da diretoria. Era madrinha do time. Acompanhava os jogadores da sede até o campo. Era como se fosse uma capitã. A gente ia pros jogos a pé”, recorda. “O Centro é mesmo que ser da família”, brinca.
Dona Dolores garante: era funcionária de mão cheia. “Eu era costureira. Fazia muitos enfeites pro clube em tempos de festa, principalmente Carnaval e festa junina. Meu irmão levava meu pai pra sede, pra ver como as coisas ficavam. Era tudo lindo”, lembra.
Todo esse carinho não veio à toa. O Centro Limoeirense recebe a alcunha de “O Mais Querido”. A origem do apelido se explica pelo fato de o Dragão, historicamente, ser conhecido como o time da classe trabalhadora e popular da cidade. O clube mantinha uma forte rivalidade com o Colombo Sport Club, fundado em 1918. O alvinegro era o clube da elite, e por isso era conhecido como “O Aristocrático”. Existiam outros clubes, como Ypiranga, Colorado e Alecrim, mas todos eles – incluindo o próprio Colombo – se restringiram ao amadorismo. Hoje, estão desativados. Somente o Centro adquiriu o status de profissional. Além disso, o Alvirrubro de Limoeiro tem casa própria: o Estádio José Vareda.
Ex-goleiro do Dragão na década de 60, o senhor Izaltino Bezerra da Silva, de 66 anos, recorda com enorme saudosismo os tempos em que defendeu a meta alvirrubra. “Naquele tempo o futebol de Limoeiro era forte. Dava gosto de ir pro campo torcer ou jogar. O futebol da cidade infelizmente não tem a mesma força hoje. O futebol de Limoeiro acabou”, comenta.
Seu Izaltino vestiu as cores do Centro em quatro categorias: infantil, juvenil, aspirante e profissional. “Tem até uma história engraçada. Uma vez eu tava jogando e me machuquei. Pedi para trazerem gelo. Só que entenderam errado. Gelo era o apelido do goleiro reserva e botaram ele no meu lugar”, conta aos risos.
O aposentado revela que também já atuou nos times rivais. “Ainda joguei seis anos no Colombo e dois no Ypiranga. Antes era proibido defender o rival por aqui, mas depois isso acabou”, diz.
Apesar de já ter atuado por outras equipes, Seu Izaltino garante que o Centro é sua paixão na cidade e não economiza elogios ao falar da importância do clube para o município. “O Centro representa muita coisa pra gente. É um clube com muita história e tradição, tem 102 anos. É patrimônio de Limoeiro”, sublinha.
O Centro é tudo na minha vida em termos de futebol”
Jogador centrista entre os anos de 1960 e 1995, o senhor Francisco Lucena tem um enorme carinho pela equipe. “O Centro é um clube centenário. Felizmente fiz parte dessa história. O Centro é tudo na minha vida em termos de futebol. Joguei sem ganhar nenhum centavo. Foi tudo por amor”, declara. “Comecei a jogar no time já na categoria infantil, com 10 anos de idade, em 1960. Só parei de jogar aos 45 anos, em 1995. Joguei em todas as categorias (infantil, juvenil, aspirante e máster), menos no profissional”, relata o aposentado, de 65 anos.
Lucena, como é conhecido, conta que não tinha função definida enquanto jogador. Era polivalente. “Joguei em todas as posições. Até mesmo de goleiro. Uma vez, no campeonato de másters, os dois goleiros foram expulsos e eu fui pro gol. O técnico na época era Danda Correia”, revela.
Os comentários do ex-jogador também têm teor histórico. “Sou de João Alfredo (cidade vizinha a Limoeiro). Quando cheguei em Limoeiro, me falavam muito do Coronel Chico Heráclio (ex-prefeito da cidade, que já foi conhecida como “Terra dos Coronéis”). Me contaram que uma vez marcaram um pênalti contra o Centro e ele entrou no gramado pra obrigar o juiz a anular o pênalti. Talvez seja lenda. Mas me falavam muito dele”, diz.
Seu Lucena também deixa transparecer o saudosismo quando volta no tempo para falar sobre sua época de atleta. “O elenco era muito unido. Ninguém jogava pra derrubar treinador ou se machucava de propósito. Se tivesse que jogar por dois dias seguidos, a gente jogava. Tínhamos amor ao clube, coisa que tá em falta hoje”, garante. “Sempre vinha muita gente para os jogos”, lembra.
Joguei no Colombo por uma temporada. Apesar de ser um time rival, a torcida não se chateou. Minha paixão sempre foi o Centro. Também joguei no time da Narciso Maia, uma loja de tecidos onde eu trabalhava. Os jogos deles também recebiam bons públicos. O pessoal prestigiava muito”, encerra.
Depois de ficar de fora da Série A2 em 2015, Dragão tenta se recuperar do baque
Em toda a sua história, o Centro Limoeirense coleciona seis presenças na elite do futebol estadual. Participou das edições de 1963, 1964, 1996, 1997, 2001 e 2008. Hoje a realidade é cruel. Em 2015, a Federação Pernambucana de Futebol (FPF) não permitiu a participação do Dragão na Série A2 do Campeonato Pernambucano. Houve problemas na documentação requerida para a disputa da competição. Um grande baque. Com receitas escassas, o clube tenta se reconstruir – e, acima de tudo, sobreviver. Hoje, movimenta-se para disputar a A2 de 2016.
A importância do Dragão para a cidade é utilizada como motivação para seguir em frente. “O Centro é um dos clubes mais populares de Pernambuco. Sempre leva muita gente ao Estádio José Vareda. Seus jogos são muito importantes para o comércio em geral, que lucra com tudo isso”, afirma Geraldo Hermínio da Silva, 65 anos, atual presidente do clube. Seu mandato se iniciou em 2015, ano das últimas eleições presidenciais da agremiação, e vai até 2017.
Jogador do Dragão nos anos 70, Seu Geraldo recorda o empenho do elenco para manter o clube vivo naquela época. “A gente ajudava a comprar os materiais esportivos e bancava as passagens para as outras cidades em que íamos jogar. Jogávamos por amor”, ressalta.
A antiga rivalidade com o Colombo também é lembrada pelo mandatário. “Na minha época, centrista não pisava na calçada do Colombo e colombiano não pisava na calçada do Centro”, destaca.
Depois de pendurar as chuteiras, Geraldo Hermínio assumiu a função de dirigente. Foi diretor de esportes do Colombo e do Centro. Além disso, presidiu a Liga Limoeirense de Futebol por 35 anos, hoje comandada pelo filho Flamarion Hermínio. O vice-presidente da Liga também é seu filho: Flávio Hermínio, 42.
Ganhe, empate ou perca dentro das quatro linhas, o Centro Limoeirense é um clube que nunca perde a esperança. Está acostumado às dificuldades há mais de um século. Apesar dos pesares, é e sempre será eterno em Limoeiro.