Em entrevista, o diretor de relações públicas do Centro Limoeirense, Flávio Hermínio da Silva, detalha o planejamento da administração para a temporada de 2016, bem como estratégias para movimentar o clube e cuidar de seu patrimônio. O Dragão não quer repetir os descuidos de 2015 e, para retomar o caminho das vitórias, guia-se em um lema o qual tem sido recorrente no futebol: a valorização das categorias de base.
Vice-presidente da Liga Limoeirense de Futebol, Flávio recorda com muita tristeza alguns acontecimentos que mancharam a história do clube, como o fracasso dentro de campo no festivo ano do centenário e um quebra-quebra promovido por jogadores na sede da instituição. Por outro lado, ele acredita que de tudo se tira uma lição e que, apesar das dificuldades, o Dragão permanecerá representando Limoeiro nas competições. E vivo no coração de cada limoeirense.
“O Centro não é meu, o Centro não é do meu pai. O Centro é de Limoeiro”, sublinha. “Queremos deixar o Centro Limoeirense em boas condições para as gerações futuras”, assegura o dirigente.
Como surgiu sua paixão pelo futebol e pelo Centro Limoeirense?
Minha paixão vem desde criança. Meu pai foi dirigente e sempre ajudava a levar o material pro campo, daí eu fui criando uma paixão pelo futebol. Essa paixão foi algo que minha família me passou.
Qual é o planejamento da atual diretoria para recolocar o Centro no caminho das vitórias?
Meu pai é o atual presidente, e eu sou diretor de relações públicas. Nós da diretoria queremos, primeiramente, colocar o Centro Limoeirense de volta à elite do futebol pernambucano, a Série A1. Em 2015 nós participamos do Campeonato Pernambucano Sub-17 e Sub-15. Estamos dando oportunidades a atletas de Limoeiro e da região. Trouxemos gente de Feira Nova, João Alfredo, Bom Jardim, Itaquitinga, Santa Maria do Cambucá, Lagoa de Itaenga, Carpina, entre outras cidades. Sabemos que o Centro pode virar um celeiro de craques e lucrar com a revelação e a venda de talentos. Isso seria bom para Limoeiro e para a região. Estamos nos preparando para a Série A2 de 2016. O gramado do Estádio José Vareda está sendo bem cuidado, está bem irrigado. Estive lá ontem. As arquibancadas já foram todas pintadas e também já colocamos para-raios. Esta semana fomos a Vitória de Santo Antão para resolver a questão do laudo do Corpo de Bombeiros. Falta o da Polícia Militar. Não queremos que aconteça o imprevisto do ano passado. Deixamos tudo em cima da hora e o Centro não pôde participar da Série A2 de 2015. Com fé em Deus, vamos participar da Série A2 de 2016.
Que tipo de problema vocês tiveram com a documentação ano passado?
Nós não conseguimos instalar os para-raios no Estádio José Vareda. Era algo que o laudo do Corpo de Bombeiros não exigia, mas que passou a exigir desde o ano passado. Isso aconteceu depois que, em um jogo no Sul do Brasil, um jogador foi atingido por um raio e acabou falecendo. Agora já colocamos os para-raios. A instalação custou em torno de R$ 8 mil. E o laudo do Corpo de Bombeiros custa R$ 3 mil.
Como o clube adquire receita durante todo esse período sem jogar?
O Centro Limoeirense depende do apoio financeiro da prefeitura municipal e de alguns patrocinadores que queiram ajudar o clube. Inclusive, já apareceram vários empresários querendo investir no Centro. Mas não dá para passar a equipe para os empresários. Tem que formar atletas de base para que o Centro revele e tenha receita com eles. O fim do Todos Com a Nota atrapalhou muito os times do interior. Era uma subvenção que ajudava os clubes a pagarem o elenco. Hoje tudo é despesa. O Centro tem despesa com concentração, alimentação, transporte para conduzir os jogadores. Também tem que pagar os atletas, um médico para acompanha-los, a arbitragem da federação. Quando vai jogar fora, tem que pagar hospedagem e restaurante. Estamos projetando esses gastos, tudo com os pés no chão. Quando tiver próximo da competição, das reuniões da FPF, vamos levar um relatório para a prefeitura e vamos buscar apoio de fora, patrocinadores que queiram usar sua marca na camisa do Centro Limoeirense. Hoje existe um estacionamento de Toyota (meio de transporte típico do interior pernambucano) no Estádio José Vareda e a prefeitura nos paga o aluguel de R$ 1,5 mil. As Toyotas são da própria prefeitura. Vivemos basicamente desse dinheiro e da verba de eventos que são realizados na sede do clube. Também recebemos receita de turmas que organizam peladas no José Vareda e nos pagam o aluguel do estádio. Esse dinheiro nos ajuda a pagar a taxa de água e de energia do estádio, o salário mínimo do funcionário que cuida do campo e as taxas de energia e de água da sede.
Os empresários em questão são da região ou de outros Estados?
Já entraram em contato com o presidente do clube empresários de São Paulo querendo uma parceria. Mas a proposta deles não interessa ao Centro porque o Centro tem que revelar atletas para ter receita. Tem que trabalhar a base. Quando tiver perto do início do campeonato, vamos fazer uma peneira, observar atletas da região. Alguns empresários indicam atletas para o Centro, pra ver se o Centro forma uma equipe boa para participar de uma competição que é importantíssima para Limoeiro e para o clube. Quando joga, seja na Série A1 ou na Série A2, o Centro movimenta o comércio, movimenta a cidade. O Centro se profissionalizou em 63, para disputar o Campeonato Pernambucano. Sabe-se que naquela época foi um deputado de Limoeiro, filho do empresário Otaviano Heráclio, que colocou o Centro na primeira divisão. E o time fez boas campanhas.
Você citou o Todos Com a Nota, antigo programa do Governo do Estado que ajudava os clubes do interior. Agora que ele acabou, vocês dependem basicamente do governo municipal?
A cidade agora tem dois deputados, um estadual (José Humberto, PTB-PE) e um federal (Ricardo Teobaldo, PTN-PE). Depende deles e da prefeitura para a cidade se movimentar. Vêm verbas do Ministério do Esporte para o município. Estão com um projeto para fazer um ginásio de esportes, orçado em R$ 47 milhões. Eu creio que se a prefeitura e os deputados tiverem interesse de ver o clube se movimentar, eu acho que eles devem ajudar, porque o Centro é Limoeiro. A gente tem que trabalhar para ajudar o Centro, para o futebol de Limoeiro não se acabar. Nossa cidade e o Brasil todo estão vivendo uma grave crise econômica, por conta desses governos que passaram aí, e isso também afeta os clubes. Mas se tiverem a boa vontade de ajudar o Centro com um pouquinho que seja, para os atletas, para o transporte, vai nos ajudar muito. É necessário. A prefeitura é o único patrocinador oficial que o Centro Limoeirense tem hoje. Em cada jogo o Centro tem uma despesa de quase R$ 4 mil, porque tem a arbitragem, o médico, os jogadores. São várias despesas. E um clube profissional precisa de recursos. Com o fim do Todos Com a Nota, os clubes do interior passaram a depender basicamente das prefeituras, infelizmente. Você vê que times como Afogadense, Cabense e Ferroviário do Cabo não jogaram a última Série A2. O Altinho se licenciou, o Sete de Setembro e o Ypiranga estão passando por uma grave crise financeira, o Surubim está desativado. Até o Porto, que tem uma boa estrutura e revela atletas, não vive boa fase. Caiu para a Série A2 este ano. O Centro também tem dificuldades. É um clube grande, de muita tradição, um clube centenário. Não era para estar passando por essa crise financeira. A torcida tem que chegar junto. Nós estamos planejando fazer um bingo para ajudar o Centro a terminar um lance de arquibancada que estava sendo construído atrás de um dos gols. A obra começou ainda na gestão do falecido doutor Carlos Alberto de Oliveira na Federação Pernambucana e foi interrompida por falta de verba. Temos muito a agradecer a Carlos Alberto, que foi um grande limoeirense e centrista. Ajudou muito o clube. No ano do centenário do Centro, o Dragão tinha um débito muito grande com a FPF, agora na gestão do doutor Evandro (de Carvalho). Mas a federação anistiou. A prestação de contas daquele ano já foi feita. Hoje, para jogar uma Série A2, o clube deve ter uma receita de mais ou menos R$ 100 mil. E com o que vivemos hoje não dá. O Centro precisa de mais recursos. Precisa da prefeitura, dos políticos, de patrocinadores, de investimento.
Existe alguma proposta que envolva a criação de um plano de sócio-torcedor para gerar mais receita ao clube?
Existe uma proposta de sócio-torcedor. É preciso gerar mais recursos para o clube. Também queremos movimentar a sede. Ela ultimamente só está servindo para a concentração dos atletas, no primeiro andar. Antigamente existiam vários bailes, festas de Carnaval, de São João, do aniversário do clube. Mas hoje fica difícil competir com as festas de rua, onde o povo vai de graça. Precisamos ajeitar os telhados, os quartos da concentração, as camas, as mesas da sede. A gente também pensa em fazer um poço artesiano no Estádio José Vareda. Tratamos o gramado com água que vem do Rio Capibaribe, e uma bomba ajuda a fazer a irrigação do estádio. Os jogadores e os árbitros tomam banho com água de carros-pipa que são doados pela prefeitura. Ou seja, com um poço artesiano, o clube já diminuiria essa despesa com carros-pipa. Essa água do poço artesiano também seria boa para lavar a sede, e também para os banheiros.
Ou seja, o clube também pretende cuidar de seu patrimônio.
Sim, é importante cuidar do patrimônio. Você vê que agora o Náutico tá passando muita dificuldade com a Arena Pernambuco, que não tá repassando os recursos para o clube. O Governo do Estado já rompeu com a Arena. E desde que passou a mandar jogos na Arena, o Náutico não tem cuidado de sua sede. Abandonou seu patrimônio para ir a uma Arena que não é dele. Eu vi que para voltar aos Aflitos, o clube vai ter que gastar R$ 2,5 milhões. Tudo isso para ajeitar o gramado, cuidar de sua estrutura. O Náutico tem que zelar pelo seu patrimônio, assim como o Centro Limoeirense tem que zelar pelo dele. E não falo só da sede, falo do estádio também. Tem um muro ali atrás da cabine de imprensa do José Vareda que tá precisando de uma reforma. Mas para contratar um pedreiro, um mestre de obras, o Centro precisa de recursos. É muito fácil chegar e criticar. Mas doar cimento e doar tijolo para ajudar a melhorar o estádio ninguém faz. Como já te falei, o clube tem o projeto de fazer um bingo para adquirir recursos. Já se cogitou cobrar R$ 1 na conta de água para ajudar o clube, mas essa ideia não saiu do papel.
O Centro Limoeirense já teve problemas com jogadores na Justiça?
Já aconteceu de atletas passarem pelo clube e depois colocá-lo na Justiça. Mas isso eu não entendo. Se foi feito um contrato com um profissional, ele recebeu todos os seus salários e ainda coloca na Justiça, no Ministério do Trabalho, isso realmente me deixa horrorizado. Na última gestão, de Beto de Sula (no triênio 2013-2015), o Centro formou um time muito bom no ano do centenário (2013), com Carlinhos Bala, Rosembrick, Eduardo Erê, Thomas Anderson, Nininho, Candinho. Era um plantel muito bom, tínhamos tudo para subir. Eu sempre dizia que se o Centro não subisse naquele ano, seria muito difícil subir nos outros anos. Passamos de duas fases e, quando chegou no mata-mata, aconteceu aquele desastre no jogo de ida contra o Olinda. Perdemos de 3 a 0, teve até gol contra. Na volta ganhamos de 1 a 0, mas não adiantou. Depois da desclassificação teve vandalismo na sede. Os jogadores se revoltaram, quebraram a decoração do centenário e troféus, bagunçaram tudo. Depois a mídia entrou em contato com a gente para saber a veracidade do fato. Para contratar um jogador, a gente tem que saber não só de onde ele veio e por onde passou, mas também a sua conduta. Porque se a gente for contratar qualquer tipo de jogador, depois você vai ter dor de cabeça. Lembro que na época houve desentendimentos entre treinador, jogadores e presidente. Eu acho que estavam fazendo corpo mole e existiu alguma coisa naquele jogo em Olinda. Nosso time era o time a ser batido. Não entendi aquilo que aconteceu, aquela atuação.
Como é a relação do Centro com a imprensa local?
Não procuram saber nada do clube, só fazem criticar. Eu acredito que todos devem estar ao lado do clube, pra incentivar. Quando denigrem a imagem do clube, a tendência é ele cair. Tem que apoiar o time, para que ele venha a se destacar, a fazer bonito, a levantar o nome da cidade. Vieram dizer que a última eleição, a de 2015, foi irregular. Não foi. A documentação está toda registrada em cartório. Está tudo regularizado. Não procuraram saber nada, não apuraram nada e vieram denegrir a imagem do clube, dizer mentiras. Antes do centenário do Centro, inclusive, a Federação Pernambucana fez uma intervenção porque o clube estava abandonado e a gestão anterior não tinha condições de mantê-lo. Aí Beto de Sula foi eleito, e depois veio Geraldo Hermínio, meu pai.
O que o Centro Limoeirense representa para você e para a cidade?
O Centro não é da minha família. O Centro é de Limoeiro. Movimenta o comércio, a economia da cidade. Eu lembro quando o Náutico veio jogar aqui em 2001, ganhou de 4 a 0 e foi campeão do primeiro turno do Pernambucano. Os restaurantes, churrascarias e bares estavam lotados, os vendedores de pipoca, amendoim e picolé lucraram bastante. Outras gestões virão, e a gente espera deixar nosso nome marcado de forma positiva na história do clube. Queremos deixar o Centro Limoeirense em boas condições para as gerações futuras. Sou, acima de tudo, um apaixonado por futebol.
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