A primeira participação do Centro Limoeirense em um torneio profissional se deu no Campeonato Pernambucano de 1963. Àquela época, a presença de equipes do interior na elite estadual ainda era escassa. Além do Centro, somente o Central de Caruaru representava o interior na competição.
O Dragão estreou contra o Náutico, nos Aflitos. E o Timbu venceu: 2 a 0. Após um empate sem gols com o Central na Capital do Forró e uma fatídica série de três derrotas, para Santa Cruz (1 a 0), Ferroviário e Sport (ambas por 2 a 1), o escrete experimentou uma surpreendente e agradável sequência invicta de nove partidas. As primeiras vitórias saíram diante do América (1 a 0) e do Íbis, que ainda não detinha a alcunha de “Pior time do mundo” (3 a 1 e 2 a 1).
Mais tarde, a invencibilidade continuou contra Ferroviário (2 a 0), Santa Cruz (0 a 0), Náutico (2 a 0), Central (2 a 2), Sport (1 a 1) e América (2 a 0). Os centristas ficaram na honrosa terceira colocação do primeiro turno, atrás apenas de Náutico e Sport. Os rivais da capital decidiram o estágio inicial do Estadual, vencido pelos alvirrubros.
“Luís Duarte, deputado da cidade (filho do empresário Otaviano Heráclio), queria botar um time de Limoeiro na primeira divisão”, lembra Nelson Ricardo, ponta-direita do Centro nos anos de 1963 e 1964. "Esse time seria o Colombo, mas Luís Duarte se desentendeu com alguns dirigentes, e a ideia foi para o Centro", destaca.
A campanha é recordada por Seu Nelson com muito saudosismo. Os jogos na casa do Dragão são sua maior saudade. “O melhor time do Centro foi esse primeiro. Era um timão. O estádio (José Vareda) era um alçapão. Dentro de casa a gente não perdeu para ninguém”, sublinha.
O resultado mais emblemático foi o já citado triunfo de 2 a 0 sobre o Náutico em Limoeiro. A base timbu que sucumbiu diante dos centristas no interior era a mesma que viria a conquistar o Campeonato Pernambucano por seis anos seguidos. “O Náutico tinha Bita, o Homem do Rifle (maior artilheiro da história do clube, com 223 gols), Nado, Lula Monstrinho, Gena. Foi uma emoção danada. A torcida encheu o campo”, conta.
O time-base do Mais Querido era composto por Manguito; Adilson, Dedé, Luizinho, Edmilson; Juvenal, Vi, Tidão; Nelson, Tanzino e Chico.
Se o desempenho na primeira metade da competição foi animador, o mesmo não se pode dizer do rendimento no segundo turno. Vieram penas duas vitórias, sendo uma delas um triunfo de 1 a 0 sobre o Santa Cruz, no Recife, e a outra um 4 a 2 contra o América. um empate (1 a 1 com o Sport) e sete derrotas (3 a 2 e 4 a 0 para o Náutico, 3 a 0 diante do América, 1 a 0 contra o Central, 2 a 1 frente ao Santa Cruz e 1 a 0 e 2 a 1 para o Sport). O time teve a pior campanha da fase. Na classificação geral, foi o sexto colocado, desempenho que se repetiu no ano seguinte. “Futebol antigamente era mais difícil do que hoje. E esse time teve muito mérito, tanto é que é lembrado até hoje”, diz Seu Nélson.
Após o meteórico sucesso, o clube se retirou das competições oficiais. Retornou três décadas mais tarde, numa época em que o Campeonato Pernambucano já tinha sido mais “interiorizado”. Nos anos 90, o Centro alternou entre a primeira e segunda divisões do futebol estadual, panorama que se repetiu na década de 2000.
Apesar dos altos e baixos do Dragão, os anos 90 também reservaram ao clube e à cidade uma participação histórica: em 1997, o Centro foi convidado a participar da Série C do Campeonato Brasileiro. Limoeiro seria representada pela primeira — e, até hoje, única — vez em uma competição nacional.
Os alvirrubros caíram no Grupo 5 do certame, juntamente com o conterrâneo Flamengo de Arcoverde, o ASA de Arapiraca-AL e o Juazeiro-BA. A estreia foi animadora: 1 a 0 sobre o Juazeiro no Varedão. Na segunda rodada, o plantel viajou a Arcoverde e trouxe um empate de 1 a 1 na bagagem. O terceiro compromisso no campeonato também terminou empatado: 0 a 0 com o ASA, em casa.
No returno veio a primeira derrota. O reencontro com o ASA terminou com a contagem de 3 a 0 para os alagoanos. Arapiraca foi um ambiente hostil para o escrete pernambucano. Era necessária uma vitória contra o Flamengo para continuar sonhando com a classificação. Mas veio um insosso empate sem gols. Por outro lado, a vitória do já classificado ASA sobre o Juazeiro por 1 a 0 deixou o Dragão em boas condições para avançar à próxima fase.
Na última rodada, os pernambucanos viajaram à Bahia. Uma vitória bastava. Em caso de empate, teria que torcer por uma derrota do Fla para os arapiraquenses. No entanto, não saíram de lá com a classificação. A derrota pela contagem mínima desclassificou os limoeirenses, que somaram os mesmos seis pontos dos juazeirenses, mas levaram desvantagem no saldo de gols. Enquanto o Centro acumulou três gols negativos, o Juazeiro teve o saldo zerado. E foi justamente o Juazeiro quem se classificou, graças ao triunfo do ASA sobre o Flamengo, também por 1 a 0, em Arcoverde.
“Infelizmente é muito difícil acontecer uma participação dessa hoje. O Centro passa por muitas dificuldades dentro de campo, com campanhas ruins, e também fora, com tantas dívidas. O futebol de Limoeiro acabou. A gente tem que seguir o exemplo de clubes como o Salgueiro e o Porto”, afirma o torcedor e ex-goleiro do Centro, Izaltino Bezerra da Silva.
Ali chegava ao fim a única vez em que Limoeiro esteve presente no mapa do futebol nacional. O Mais Querido foi o 48º colocado na classificação geral da Terceirona, à frente de equipes tradicionais como Fortaleza-CE, Anápolis-GO, Potiguar de Mossoró-RN, Campo Grande-RJ, Villa Nova-MG, Galícia-BA e Rio Branco-SP.
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